Há o que há…

Os dias são tecidos de eus
há momentos vazios
há momentos habitados

Os dias são fragmentos vividos
há tempo em que estou
há tempo em que me observam

Os dias e o tempo
são instantes do invisível
há vento que me embalam
há ventos que me desertam

Os ventos são o sentido do ar
há ar em de que me alimento
há outros que me atormentam

o eu se vestido por nós
não, é nós nos sapatos
e sim, atos desfiados
rotos de fim

há o que há
no mais, tudo segue
e o nada…

há roupas no varal
lençol de linho na cama
sabonete de pinho na ducha
e amores
que ao se revelarem
nos constroem
:
palavras átomos
penas vivas, tinta em Vida, Poesia!

Carmen Silvia Presotto – Vidráguas, reescrevendo um poema…

A imagem é de Ana Teresa Fernández, colhida lá no mural de Benette Bacellar!

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